“Ser Espiritual”…o que significa – parte II

Pensavam que já tinha definido a complexidade do que significa “ser espiritual”? Nã! Ainda tenho mais para dizer, muito mais… para não estar a repetir o que já foi dito, continuemos a partir do ponto em que ficamos na primeira parte ( se não leste a 1ª parte podes lê-la aqui).

Partindo da premissa (cientificamente comprovada) mencionada anteriormente de que este é um Universo dual, que uma das Leis Universais é a da Polaridade (ou dualidade), onde existe sombra/luz, yin/yang, positivo/negativo, dia/noite, amor/medo, felicidade/sofrimento,  etc, etc, etc todos somos ao mesmo tempo humanos e divinos (terrenos/espirituais, finitos/infinitos…). Isto significa que funcionamos (entenda-se o “funcionar” como o conjunto do pensar, sentir e fazer/agir) simultaneamente das duas maneiras.

Só este facto é suficiente para se esclarecerem alguns mitos e também dúvidas acerca do assunto. O facto de despertares para a tua essência divina e a reconheceres e abraçares NÃO significa que de repente deixaste de ser “humano” ( e as aspas aqui apenas para que compreendam que não estou a falar de algo não humano, ou Extra Terrestre, mas não encontrei outra palavra para explicar o que quero dizer com esta frase, que pode gerar respostas estúpidas da parte de leitores mais impulsivos). Escrevo isto para frisar e sublinhar bem a importância deste facto, não só para quem ainda não despertou (e também para alguns despertos mas ainda no início da sua jornada, que acham que “ser espiritual” é tornar-se uma pessoa livre de todo o ódio, raiva, medo, desejo, paixões, julgamento ..  e quando se deparam com alguém desperto e o vêem a ter comportamentos, ou ações ou sentimentos como os atrás citados criticam e põem em causa a espiritualidade do outro, continuando eles mesmos adormecidos) como também para aqueles que já despertaram (mas ainda pouco conscientes e acham que ser espiritual é conseguir livrar-se da acima citada lista e dominar outra das Leis Universais: a Lei da Atração) e ainda para os que já estão completamente despertos e se acham “acima” dos restantes citados (os que já se intitulam “mestres” espirituais e já despertaram completamente, só ainda não integraram o ego. Dentro deste último, haverá alguns que realmente são autênticos e sinceros/honestos e outros que são uma charlatanice absoluta, como aliás, em todas as outras áreas da vida).

Assim, despertaste e reconheceste a tua parte divina (somos realmente pequenos fractais de “Deus”) e continuas a ser humano. Isto significa que haverá dias em que acordas virada para o teu lado espiritual e agradeces  ao Universo por estares viva, dás graças pelas tuas bençãos e segues o dia centrada, equilibrada e completamente no Agora e haverá outros dias em que acordas na frequência (e agora perdoem-me o português, o  sarcasmo e  a idiotice descritiva)  “humana-com-vontade de-que-ninguém me f*da a cabeça- que – não-me-apetece-aturar-adormecidos- da-m*rda-ou-despertos-com-a-p*ta-da mania-que-são-iluminados!

Alguns de vocês já desligaram o pc, deixaram cair o telemóvel ou mexeram-se desconfortavelmente na cadeira. Outros ter-se-hão desatado a rir e os que percebem exatamente a veracidade e autenticidade disto, sorriram e respiraram de alívio. É A MAIS PURA DAS VERDADES e eu como escorpião que sou não consigo deixar de dizê-la (e fui até cuidadosa em colocar asteriscos nas palavras ofensivas). Quem diz o contrário está a) a mentir-vos; b) a enganarem-se a eles próprios; c) a reprimirem algo dentro deles e em estado de resistência!

Sim , eu que despertei para o meu lado divino e  que vou no “local” que tenho que ir (nem atrás nem à frente, nem acima nem abaixo de ninguém) acabei de julgar, criticar e possivelmente “ofender” alguns de vocês. Qual é a diferença então, perguntarão vocês, entre alguém desperto de alguém menos desperto? Uma das diferenças é que eu tenho Consciência de que o fiz e do que o faço e provavelmente continuarei a fazer quando acordo “nestes dias”. Outra das diferenças é que essa consciência faz com que não saia à rua e projete estes meus “desequilíbrios” nos outros, embora isso também aconteça. Se isso acontecer já sei que preciso de passar tempo a sós comigo para avaliar o que ainda preciso compreender e integrar dentro de mim.

Muitas pessoas bloqueiam na sua jornada (e eu também já passei por alguns desses bloqueios) porque nas várias fases vão partilhando dos mitos dos grupos acima mencionados e como tal, em determinados momentos parece que regredimos e ficamos desesperados por não estarmos a perceber o que raio se está a passar porque pensávamos que já não deveríamos sentir medo e de repente estamos encolhidos nele; ou pensávamos que tínhamos aprendido a não julgar o outro e ups, “hoje toda a gente para quem olho me faz ter um julgamento”…Nestes momentos pomos em causa uma série de epifanias que tínhamos tido e sentimos-nos completamente deprimidos e culpados.

Meus queridos a conclusão a que cheguei é que não regredimos, não estamos novamente perdidos, não estamos deprimidos, não temos “culpa” de nada, nem deixámos de ser espirituais. Apenas temos que perceber que somos e seremos sempre (enquanto estivermos neste plano físico) humanos. E a proporção da tua espiritualidade é a mesma que a proporção da tua humanidade…andam de mãos dadas…como yin/yang, sombra e luz, amor e medo. Quanto mais espiritual te tornas, mais humano te tornas também, porque só te tornas mais espiritual quando aprendes mais e mais sobre a tua própria condição humana.Essa foi aliás, a razão de teres encarnado: para te experienciares como humano e expandires assim, a tua consciência de ti próprio.

E como aprendes a fazê-lo? Sendo um humano! Com tudo o que isso implica…

Vais continuar a sentir medo, carência, desespero, desamor, insegurança, fragilidade, dúvidas, receios e também amor, abundância, gratidão, segurança, força e certezas…vais é fazê-lo a partir do teu centro ( ou seja de forma consciente) e principalmente, vais aprender a AMAR-TE e a PERDOAR-TE e ACEITAR-TE com todas as tuas IMPERFEIÇÕES e a ASSUMIR RESPONSABILIDADE PELO TEU DESTINO.

Vais aprender que nunca te vais libertar do ego. Vais reconhecer a sua importância e o papel que deve ter na tua vida…vais aprender a reconhecê-lo e aceitá-lo, encontrando assim, o ponto de equilíbrio entre o ego e o EU MAIOR. Vais compreender que se o nosso propósito na Terra fosse abandonarmos o ego, teríamos encarnado numa rocha, planta ou animal irracional…Vais recordar que o ego é o que te permite ser esse “eu” único e especial aqui na Terra, esse “eu”que te permite reconhecer-te a ti próprio em relação ao “tu” que é o outro (e continuará a ser o outro enquanto estiveres aqui encarnado)…Vais aprender a distinguir entre esse “eu” e a tua personalidade (que etimologicamente significa persona, que por sua vez significa “máscara”) e reconhecerás que é essa máscara que precisas abandonar, é dela que tens que te desapegar e deixar cair. Esta será a parte mais difícil da jornada pois a persona anda muito colada ao “ego” e por vezes não sabemos que são duas coisas distintas e muito diferentes. Alguns sofrem do síndrome de Gabriela: “eu nasci assim, eu cresci assim” e encontram aqui um desafio descomunal.

Vais aprender que a tua persona (Aquilo que Achas que És) é o maior obstáculo para o reconhecimento, aceitação e integração do “eu” (ou ego) e do “Eu Maior” (ou super ego).

Vais aprender que só te é possível libertares-te do ego quando morres. A máscara fica, ficam as posses, o corpo e o ego ou a tua identidade, esse “eu” pequenino que te diferencia do tu. O “EU Maior” segue agora viagem,  pura consciência expandida pelas experiências adquiridas.

E então quando é que te tornas iluminado, perguntam vocês? Quando aprendeste todas as lições e não desejas experienciar mais nada…quando sentes que já experienciaste tudo o que era necessário para a tua expansão (e do planeta também, porque és também um ser pertencente a uma consciência coletiva)…quando consegues fazer o que um mestre iluminado fez depois de atingir a sua iluminação (perdoem-me , mas não sei se foi ou não Buda) – Quando lhe perguntaram o que fazia antes de se tornar iluminado, ele respondeu: “carregar água e partir madeira”. E depois de se tornar iluminado? “Carregar água e partir madeira”.

Esta é a minha “verdade”…, o meu entendimento da “Jornada do Louco”… a minha experiência adquirida nessa jornada, o fruto do meu trabalho de auto conhecimento e consciência. Não há um só caminho… Acredito que outras pessoas terão outras perspectivas (pois percorreram outros caminhos) e adoro ouvir outras versões da história. Se sentires vontade de partilhar o teu caminho, a tua opinião, a tua versão da história,  terei muito prazer em conhecer a tua “verdade”.

Com Amor,

GaiaNamastê.

 

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